Comecei a ler Neil Gaiman no meio da faculdade, por influência do conto intitulado Dream Hunters (Sandman: Os Caçadores de Sonhos). Apesar de se passar no universo de Sandman, personagem mais conhecido do autor, a história de amor entre um monge budista e um espírito-raposa do folclore japonês não requer conhecimento prévio acerca da mitologia do Mestre dos Sonhos. Trata-se, por isso, de uma excelente porta de entrada. Dream Hunters contribuiu imensamente para a minha formação como leitor e, ainda hoje, agradeço à amiga de bom coração que ofereceu seu empréstimo em uma mesa de bar.

Sandman é conhecido – dentre muitos outros codinomes – como Príncipe das Histórias, um título que o personagem apenas toma emprestado de seu autor. Gaiman tece com facilidade conexões entre mitos, lendas, fábulas e narrativas de culturas diversas, sobrepondo realidade e fantasia e reinventando mundos já conhecidos – como no caso de Mitologia Nórdica, recentemente lançado pela Intrínseca. Suas obras são dotadas de humor sutil e uma capacidade criativa fulgurante, capaz de cativar crianças e adultos em igual medida.

Como se não bastasse a escrita de Gaiman, ao mesmo tempo apaixonada e apaixonante, há que se mencionar a qualidade das suas parcerias. Dream Hunters chamou minha atenção por trazer Yoshitaka Amano como ilustrador, nome conhecido dos fãs da série de games Final Fantasy. No entanto, é a sua colaboração com Dave McKean, conhecido por trabalhos que misturam desenho, fotografia, colagem e pintura, a que vejo como a mais fascinante. Obras como Sandman e Mr. Punch se beneficiam enormemente desse amálgama de técnicas na ambientação de suas narrativas.

É preciso ressaltar que Neil Gaiman é um autor bastante prolífico e que suas novidades são publicadas com bastante frequência. Além disso, é comum ver e ouvir seus trabalhos transpostos para outras mídias. Lugar Nenhum, por exemplo, já deu origem a um áudio drama da BBC narrado por atores como James McAvoy (X-Men), Natalie Dormer (Game of Thrones) e Benedict Cumberbatch (Sherlock, Dr. Estranho). Isso sem contar a adaptação de Deuses Americanos para série de TV, a qual mal posso esperar para assistir. Em suma, a obra de Gaiman é bastante vasta e convido você a conhecê-la ou se aprofundar nela cada vez mais.