Alien: Covenant e como Ridley Scott desaprendeu a fazer sci-fi

Ridley Scott? Confere! Monstro babão? Confere! Clima sombrio? Confere! Cenas de ação? Confere! Andróide inexpressivo? Confere! Depois de tudo isso, o que faltou para Alien: Covenant (2017) ser aquela sequência maravilhosa que esperávamos? No sexto filme da franquia Alien, o diretor do longa original (Alien, o Oitavo Passageiro – 1979), resgata diversos elementos visuais utilizados nas sequências anteriores, porém, sua amálgama, não é bem-sucedida quanto devia. Sobra algo e, paradoxalmente, falta algo.

 

O filme que estreia no Brasil nessa quinta dia 11 de maio de 2017, é sequência direta de Prometheus (2012). A trama se desenvolve após dez anos do desaparecimento da nave Prometheus que transportava um vírus mortal. A nave Covenant, transporta 15 tripulantes, mais milhares de colonos e embriões, para colonizar um planeta. Como é típico em filmes de sci-fi no espaço, precisamos de alguma tragédia dentro da nave para incentivar nossas personagens ao drama, sensibilidade e facilidade de cometer erros. Então bora colocar uma falha técnica e um incêndio maroto pra fomentar a desavença.

 

 

Após o incidente interno, que ocasiona a morte de parte da tripulação e perda de alguns colonos e embriões, conseguimos definir quem é quem na composição da equipe. O sintético Walter (Michael Fassbender dono do meu coração, vulgo mozão) é a parte racional, técnica, o capitão Oram (Billy Crudup, de Watchmen) o otimista, Daniels (Katherine Waterston, de Animais Fantásticos e Onde Habitam), a mulher que luta até o fim, e por aí vai.

 

Após se depararem com uma transmissão no meio do nada, o capitão opta por desviar de sua rota original e buscar uma nova possibilidade de ambiente para se criar a colônia, evitando uma viagem mais longa, e amenizando o trauma e as perdas sentidas na tragédia que acometeu a nave. Pronto, a falha que precisávamos chegou e daqui pra frente é planeta desconhecido, situações de contágio e Aliens babando. Nesse ponto o filme se torna mais que genérico. O escuro, tão bem utilizado no seu primeiro filme, como meio de criar suspense, soa como preguiça de mostrar a cena de ação. O monstro aparece o tempo inteiro, o que em mim, provocou o fim da possibilidade de me assustar. E as pessoas idiotas que estão nessa missão? Todos desprotegidos, tocando em tudo o que vem pela frente, facilitando qualquer contágio. Se esse fosse o futuro da humanidade, não duraríamos um dia.

 

 

Não me apeguei aos personagens, achei eles rasos, mal elaborados e avulsos naquela situação. O conflito entre Walter e David (Michael Fassbender em dose dupla) é convincente, mas, ainda assim, destoa da fragilidade do restante do grupo. Outro ponto que me incomodou foi dar espaço e voz a Daniels, tentando configurá-la como uma nova Ripley. A coitada não teve chances de fazer nada a não ser chorar e ficar com cara de piedade nas 2h02min de projeção. O pecado do filme é o roteiro. Mesmo com os plots que ligam Covenant, Prometheus e Alien o que ocorre no desenvolver da trama é o que vimos desde sempre no cinema de ficção científica. Não que a mesmice seja ruim, mas quando se tem Scott a frente de um projeto, as expectativas são muitas. Não sou hater, mas não caí de amores por ele. Assim como seu anterior, fica uma pendência com os fãs.

 

Nota: 2,5/5