Nome do livro: Para Educar Crianças Feministas
Título Orginal: Dear Ijeawele, or a Feminist Manifesto in Fifteen Suggestions
Autor(a): Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 96
Ano: 2017
Nota: 5/5

Após o enorme sucesso de Sejamos todos feministas, Chimamanda Ngozi Adichie retoma o tema da igualdade de gêneros neste manifesto com quinze sugestões de como criar filhos dentro de uma perspectiva feminista. Escrito no formato de uma carta da autora a uma amiga que acaba de se tornar mãe de uma menina, Para educar crianças feministas traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, o que se inicia pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. E é por isso que este breve manifesto pode ser lido igualmente por homens e mulheres, pais de meninas e meninos. Partindo de sua experiência pessoal para mostrar o longo caminho que ainda temos a percorrer, Adichie oferece uma leitura essencial para quem deseja preparar seus filhos para o mundo contemporâneo e contribuir para uma sociedade mais justa.

Li este manifesto — uma carta escrita por Chimamanda Adichie à uma amiga de infância que acabara de dar à luz — não como uma mulher e mãe, mas como um homem branco que reconhece seus privilégios e reproduz comportamentos e pensamentos machistas. Para aqueles na mesma condição, mas que também buscam repensar sua forma de se relacionar com o mundo, este livro é uma aula. A autora oferece quinze sugestões para que a pequena Chizalum seja educada em uma perspectiva feminista e o ideal seria que elas fossem lidas atentamente por homens que pretendem, ou não, ser pais. (A propósito, há um documentário também poderoso chamado “The Mask You Live In”, disponível no Netflix, que mostra como a ideia do “macho dominante” afeta psicologicamente crianças, jovens e adultos, principalmente nos Estados Unidos. Ótimo complemento para a leitura.)

Para mim, o texto de Chimamanda Adichie cumpriu seu propósito. Eu já tinha alguma familiaridade com a autora por conta de uma palestra em um TED Talk, mas o ato de ler esta carta — escrita com a franqueza que só usamos com os verdadeiros amigos — provocou um impacto muito maior que o de uma apresentação de palco. Não posso deixar de ressaltar uma passagem: “Diga a Chizalum que as mulheres não precisam ser defendidas ou reverenciadas; só precisam ser tratadas como seres humanos iguais”. Mais claro, impossível. As quinze sugestões que compõe o manifesto compreendem desde a forma de arrumar o cabelo (ei, Otaviano Costa, estamos de olho!) até as visões discrepantes de casamento passadas adiante, desde cedo, a homens e mulheres. Tudo explicado de forma objetiva e de fácil compreensão.

É interessante poder conhecer mais sobre alguns dos costumes e tradições do povo Igbo, habitante do sudeste da Nigéria, do qual fazem parte as três mulheres mencionadas no livro. Chizalum, filha de Ijeawele, é aconselhada por Chimamanda a abraçar as virtudes dessa sociedade, ainda que tão misógina e patriarcal, e valorizar aspectos como “a comunidade, o consenso, a dedicação ao trabalho e a beleza da língua e dos provérbios, cheios de profunda sabedoria”. Além disso, o livro traz colocações importantes a respeito do racismo. A autora alerta: “Encontre heróis e heroínas negros na história. Existem. Você talvez precise contradizer algumas coisas que ela aprenderá na escola — o currículo nigeriano não é muito imbuído da ideia de ensinar as crianças a sentirem orgulho de sua história. Os professores serão ótimos em ensinar matemática, ciências, artes e música, mas você mesma é que terá de lhe ensinar orgulho”.

Agradeço pela oportunidade de ter tido acesso a “Para Educar Crianças Feministas”. Trata-se de uma leitura essencial e absolutamente urgente. Leia, recomende e reforce sua mensagem.