O jovem Baby (Ansel Elgort) tem uma mania curiosa: precisa ouvir músicas o tempo todo para silenciar o zumbido que perturba seus ouvidos desde um acidente na infância. Excelente motorista, ele é o piloto de fuga oficial dos assaltos de Doc (Kevin Spacey), mas não vê a hora de deixar o cargo, principalmente depois que se vê apaixonado pela garçonete Debora (Lily James).
Carros, bad guys, femme fatale, jovem rapaz, dinheiro, troca de olhares, música… ao ataque. Desde Bastardos Inglórios (2009) que não saio do cinema assim tão agitada.
A consonância entre palavras, imagem e sons é o que forma o que conhecemos hoje como cinema. A mescla desses elementos reforçam a verossimilhança que quer ser transmitida por meio dessa narrativa. As imagens em si nos trazem  informações de uma realidade visível que passam a fazer sentido quando são postos em conjunto com estes outros elementos em uma ordem associativa que tramam a narrativa. Em Baby Driver (Em Ritmo de Fuga, 2017) a construção do entendimento por meio dessa teia, em sua primeira sequência, já sela um acordo com o espectador do que, provavelmente será entregue e a mediação mágica desse diálogo se inicia.
A experiência de hoje foi uma imersão em diversos gêneros que me agrafam muito no cinema. Das aventuras exagerada das sessões da tarde na TV Aberta (saudades de Um Tira da Pesada e Gotcha!), aos musicais oitentistas onde cada passo dado se encaixa perfeitamente na cadência da música executada. Que primor! Aliás, música essa essencial ao protagonista. Baby (Ansel Elgort) é motorista de fuga, de elaborados assaltos, e constantemente ouve músicas para abafar um ruído que o importuna após um acidente de carro que sofreu ainda na infância. O filme se desenvolve em torno da rotina dele, em seus serviços, e dos problemas gerados por ele. Ao executar sua última tarefa, algumas coisas saem errado e ele tem pouco tempo para arrumar isso.

O que amarra a trama é o inesperado, a surpresas vem de qualquer direção, sem aviso prévio apenas acontecendo e te arrebatando. É cada pancada que levamos que o atordoamento torna o nível de adrenalina maior. O elenco tem uma empatia tão grande que as situações encenadas são críveis. Ansel nos entrega uma personagem cativante ao ponto de torcermos pra ele constantemente. Spacey, como o chefão do crime, permanece no espectro da ironia e poder de Underwood em House of Cards. Foxx é completamente irritante desde sua primeira aparição em cena, o que afirma o mau caratismo de suas ações. O casal formado por Hamm e González são de uma beleza e sensualidade que completam a riqueza visual do filme. A mocinha Débora, de Lily James é a cereja do bolo, da doçura, que falta pra completar Baby.

O dinamismo com que os fatos acontecem dão ritmo a história, consolidado pela trilha sonora que acompanha os gestos, pensamentos e/ou situações em ação. Wright sabe como nos dar boas experiências visuais ao compor com um jogo rápido de cenas curtas, sem diálogos, que falam por si. Eu não sei quando meu coração vai desacelerar ou se eu vou perder esse ar de embasbacamento do rosto. Nem sei se quero, afinal, achei nesse filme uma nova maneira de me divertir.
Nota: 5/5