As interações ao longo da vida são marcadas por bons e maus momentos. Partindo de apenas um ponto de vista, conseguimos enxergar da ótica daquele que nos serve de parâmero e, o que foi construído e destruído nesse caminho. Viver é isso, uma sucessão de erros e acertos no qual entre nascer e morrer vivemos algumas aventuras. Rosa (Maria Ribeiro), como boa parte das mulheres, após fazer suas escolhas, parece ter parado de viver. Sua rotina de mãe,  trabalhadora e esposa a desgasta ao ponto de, aos 38 anos, ela ser uma pessoa exausta, perdendo assim seu viço. Em um almoço de família, no qual o desconforto de Rosa com as pessoas ao seu redor é evidente, sua mãe (Clarisse Abujamra), em um momento de discussão, revela fatos sobre sua real paternidade e, então sua perspectiva de vida é alterada. Somando a isso, diversos fatores pessoais, que a levam a questionar se os caminhos seguidos na vida são realmente os que a fazem feliz, a narrativa do filme é desenvolvida.

A personagem procura respostas para suas dúvidas, cura pra seus medos e coragem para realizar seus desejos. Em variadas situações ela afirma que não dá conta de tudo, em um momento é questionada do porquê dever dar conta de tudo… não deve. Esse peso de ser uma super mulher é a imagem que retrata o que carregamos. A “independência” adquirida, pela mulher, veio com o peso de acumular funções, pois se queríamos sair do conforto do lar o lar não poderia deixa de ser confortável com nossa ausência. Assim, em uma jornada tripla de serviço, funções domésticas e resolução de problemas pessoais, a fadiga que retratada no longa, torna a personagem é simpática aos espectadores, que se, não vivem uma rotina semelhante, conseguem enxergar nela, alguém que viva.

O filme de Laís Bodanzky, nos cativa aos poucos, pois o drama que, inicialmente soou raso, a medida que os diversos conflitos que a protagonista vive são apresentados foi me conquistando e me fazendo perceber diversas mulheres que eu conheço representadas por aquela personagem. Um filme que retrata bem uma parcela dos conflitos emocionais da mulher contemporânea.

“Como Nossos Pais” foi vencedor das categorias de melhor filme, diretora (Laís Bodanzky), atriz (Maria Ribeiro), ator (Paulo Vilhena), atriz coadjuvante (Clarisse Abujamra), no Festival de Cinema de Gramado 2017, cuja premiação aconteceu na noite deste sábado, 26 de agosto, na serra gaúcha. Foram ao todo 6 Kikitos para o longa (incluindo montagem, para Rodrigo Menecucci), concedidos pelo júri.

Nota 4/5