Destemido e positivo. É a melhor definição para o honesto filme de Luc Besson. Em um 2017 repleto de esperados e bons filmes de super-heróis, Valerian se destaca com trama nova que encanta os olhos, desperta nossa curiosidade e consegue ao final trazer reflexões boas. É uma saga de ação no universo onde naturalmente os humanos se envolvem no  desequilíbrio entre as raças e planetas.
No início do filme você pensa que está no Avatar de James Cameron: mundo totalmente novo, encantador, cheio de detalhes que cutucam nossa curiosidade inclusive em relação aos indivíduos com corpos diferentes. Nada desse cotidiano novo é exibido com o mesmo didatismo de Avatar, porém você “pesca”(não esqueça essa palavra) tudo. Esse mundo novo foi o principal atrativo do filme que despertou muito a curiosidade dos amantes de ficção científica e informo que vale a expectativa, tudo é muito bem concebido, mesmo com um 3D questionável, embora não considerável ruim.

 

 

Infelizmente, os personagens principais (humanos) não convencem no início do filme. É uma sensação de que não foram bem trabalhados, assunto de atuação de atores. São colocados numa dinâmica de conflito amoroso muito contemporâneo. Eles são muito importantes na trama e curiosamente adolescentes, atuando quase como guardiões especiais da galáxia. Essa sensação se esvai ao longo da trama, mas poderia ter sido bom desde o começo. Aliás, prestem atenção nos créditos iniciais do filme, eu imploro. Tenho certeza que um nome não vai passar despercebido pois quando essa pessoa entrar lá pela metade do filme, vai roubar a cena. Pode não ser de nossa raça (há dúvidas, rsrs), e é responsável por uma citação das mais belas do filme, resumidamente: “Miserável é o amor que pode ser medido”..  Mais ou menos assim, perdoem se não sou exato nas palavras.

 

 

Interessantíssimo o início do filme: raça humana entrando em “paz” a partir do universo. Americanos, chineses, asiáticos, africanos, estabelecem parcerias não mais nas Assembleias Gerais da ONU ou nos Fóruns  internacionais. Se encontram no espaço para mais que desbravá-lo, mas para compartilhar. Luc Besson que é mais pop que Stanley Kubrick (há controvérsias) colocou clássico de David Bowie para narrar isso. Fantástico! Dificilmente não te ganhar logo de primeira.

 

 

Enfatizo a primeira parte do filme pois ela realmente é a essência de tudo, sendo apenas abreviada com as cenas seguintes e boas de ação para quase nos surpreender (em relação aos ETs claro) com um final correto colocando a raça humana no seu devido lugar de insignificância frente ao equilíbrio do universo. Equilíbrio este que não fazemos a menor ideia do que pode ser.
Embora não tenha a “independência” de alguns filmes de Luc Besson, Valerian  valeu o investimento e consegue entreter e refletir e com toda certeza você não vai  sair decepcionado da sala, porque Besson e sua equipe capricham em muitos aspectos. Por favor, mais filmes assim. Com audácia.
Nota: 3.9/5

 

 

Escrita pelo colaborador: Vitor Damasceno é o Cinéfilo que não consegue ficar quieto em sua “Odisséia no espaço” e sonha em ser Indie.