O astuto Pedro Malasartes, faz parte do imaginário brasileiro, herdado da tradição oral e escrita portuguesa. As diversas aventuras desse espertalhão preguiçoso já foi contada no cinema nacional,  por Mazzaropi, no filme “As aventura de Pedro Malasartes” (1960). Se trata de um matuto do campo, preguiçoso que vive de pequenas enganações para sobreviver. Sempre que acha necessário, sua “caixa de bobagens” imagina algo para se safar da responsabilidade. No filme “Malasartes e o Duelo Com a Morte”, Pedro (interpretado por Jesuíta Barbosa), deve alguns cobres ao fazendeiro Próspero (Milhem Cortaz) que o persegue para que a dívida seja quitada, enquanto o malandro conquista adoce e inocente Áurea  (Ísis Valverde), irmã do fazendeiro. Ao perceber que a solução para seus problemas pode estar em um presente de aniversário, ele sequer imagina que terá que enfrentar a Morte para ajustar sua vida.

 

 

O filme fala sobre a liberdade da personagem de não querer se prender a nada nem ninguém. O Malasartes desse filme tem toda a inocência do tradicional, mas com uma certa maldade, sinal dos tempos interferindo nas narrativas tradicionais. As locações escolhidas, vestuário e sotaque, mantém a narrativa na esfera do clima rural e os questionamentos do protagonista, nos fazem entender que suas ideias são mais contemporâneas. Essa mescla foi um acerto, pois assim a comédia não descaracteriza a personagem tão conhecida e, também a trás para a contemporaneidade.

 

 

 

No núcleo fantástico temos o ator Júlio Andrade interpretando a Morte, Leandro Hassum, como seu auxiliar Esculápio e Vera Holtz, Luciana Paes e Julia Ianini como as três Parcas. O filme é dirigido por Paulo Morelli (Cidade dos Homens – O Filme) e produzido pela O2 (produtora de Cidade de Deus). Repleto de efeitos especiais para ambientar o vale no qual se tece a vida e o destino e as chamas da vida se apagam, nesse ponto o filme fica um tanto prejudicado por inserir elementos muito artificiais visualmente. Sinto que se a dose de efeitos fosse menor, essa ambientação poderia ser mais agradável esteticamente. Porém isso não desmerece a concepção de magia que permeia a ideia do homem que enganou a morte, de executar sua ação.
Um resgate da cultura popular em forma de filme. Um causo bem contado na tela do cinema.
Nota: 3/5