Nome do livro: A Zona Morta
Autor(a): Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 480
Ano: 2017
Nota: 3/5

Depois de quatro anos e meio, John Smith acorda de um coma causado por um acidente de carro. Junto com a consciência, o que John traz do limbo onde esteve são poderes inexplicáveis. O passado, o presente, o futuro – nada está fora de alcance. O resto do mundo parece considerar seus poderes um dom, mas John está cada vez mais convencido de que é uma maldição. Basta um toque, e ele vê mais sobre as pessoas do que jamais desejou. Ele não pediu por isso e, no entanto, não pode se livrar das visões. Então o que fazer quando, ao apertar a mão de um político em início de carreira, John prevê o que parece ser o fim do mundo?

Assim que terminei o livro, abri instintivamente o Google e comecei a digitar: “Greg Stillson e…”, ao que o buscador completou: “…Donald Trump”. Era exatamente essa a pesquisa que eu faria, pois de fato é possível dizer que “Zona Morta” traz uma tenebrosa semelhança com as últimas eleições norte-americanas. Mas vamos começar do começo.

Bom, esse foi o primeiro livro de Stephen King que li na vida, e talvez eu precise de mais um ou dois para formar uma opinião mais embasada. Talvez eu tivesse esperado um pouco mais de terror, não sei. “Zona Morta” conta a história de Johnny Smith, um sujeito que passa quatro anos e meio em estado de coma e, tão logo abre os olhos novamente, percebe a existência de um poder que o torna diferente. Quanto mais o utiliza, mais os moradores da cidade e a mídia local o procuram, fato que deixa Johnny bastante contrariado. Afinal, nunca foi sua intenção tornar-se um herói por conta de algo que lhe traz muito mais contratempos do que benefícios.

A história se divide em dois arcos. No primeiro, Johnny se vê compelido a auxiliar a polícia na resolução de uma série de crimes que há tempos vem atormentando a pequena cidade no estado americano do Maine; no segundo, o político Greg Stillson – um ex-vendedor de hábitos excêntricos, postura anti-establishment e ideias de grandeza – começa a ganhar cada vez mais visibilidade e a parecer como uma opção perigosamente viável para um contingente significativo de eleitores. Vale ressaltar que essas eleições se passam em 1979, mas as semelhanças com um certo presidente se mostram mais assustadoras a cada virada de página. Devo admitir que é uma sensação perturbadora ler “Zona Morta” e abrir qualquer portal de notícias em 2017, pois me faz sentir dentro da mente conturbada de Johnny Smith.

Quanto à experiência de leitura, essa deixou um pouco a desejar. Para mim, o livro não tem fôlego suficiente para as 479 páginas e a conexão com o leitor se perde um pouco durante a transição entre os arcos. Mas a capacidade narrativa de Stephen King é notável e as tramas se desenrolam e se encontram com bastante fluidez, entremeadas por momentos de tensão. Os personagens são bem caracterizados e desenvolvidos, e é possível compreender claramente suas motivações.

Ainda que o livro tenha suas virtudes, não acredito que seja o mais indicado para um leitor iniciante de Stephen King. De toda forma, é interessante sair da zona de conforto e ler um autor que sempre esteve entre aqueles que eu normalmente deixaria para depois. Talvez você também se sinta assim em relação a um escritor ou a uma escritora, então por que não dar uma chance a ele ou a ela ao escolher a sua próxima leitura?