Nome do livro: As Upstarts
Autor(a): Brad Stone
Editora: Intrínseca
Páginas: 384
Ano: 2017
Nota: 4/5

Em As upstarts, Brad Stone traz a história dos dois grandes expoentes desse fenômeno: a Uber e o Airbnb. Por meio de sua análise bem embasada e entrevistas com fundadores das duas empresas, vemos como o enorme ímpeto e autoconfiança de um empreendedor pode mudar o mundo e gerar fortunas, mas também turvar seu discernimento e ameaçar tudo o que foi conquistado. Em uma incursão pelo lado humano da tecnologia que aproximou pessoas, possibilitou trocas culturais, gerou renda para gente comum e criou uma genuína comunidade, vê-se também impactos não necessariamente positivos, como a reconfiguração de bairros inteiros e os ecos gerados no mercado imobiliário, a insatisfação de parceiros e conflitos com concorrentes, além de sérios questionamentos sobre ética, condições de trabalho e segurança dos usuários, que põem os governos em uma sinuca de bico regulatória e ameaçam setores tradicionais da economia.
Você pode nunca ter entrado em um carro da Uber ou se hospedado em um imóvel do Airbnb, mas com certeza tem sua vida e cidade impactadas por essas duas companhias e sentirá na pele os muitos desdobramentos das batalhas travadas por esses gigantes e as inovações que ainda estão por vir. Por isso, além de uma história de superação e sucesso, As upstarts é um retrato de uma era e leitura obrigatória para quem quer entender tanto o mundo de hoje quanto o que virá.

 

Upstart é um termo usado para se referir a empresas que alteram as regras do jogo.  Negócios que começam cercados de “isso NÃO TEM como dar certo” e rapidamente se veem em meio a bilhões de dólares e muitos “droga, por que não investi naqueles malucos quando tive chance?” resmungados entre dentes cerrados.

Pouquíssimas são as startups que chegam a se tornar upstarts, e talvez a Uber e o Airbnb sejam os casos de sucesso mais emblemáticos. Claro, o crescimento de ambas foi obtido a duríssimas penas, entre elas a concorrência de empresas-clones, impedimentos legais, apps ineficazes, apartamentos vandalizados, inexperiência de seus CEOs e diversas situações que quase vieram a colocar tudo a perder. Se hoje devemos a essas empresas muito do que hoje entendemos naturalmente como “economia colaborativa”, o mérito está na resiliência dos seus fundadores e na visão de futuro de seus investidores.

No começo, tudo era tentativa e erro. O Airbnb, por exemplo, surgiu como “Air Bed & Breakfast”, uma opção no mínimo nebulosa para designers em busca de hospedagem durante uma convenção. Já a Uber, outrora chamada de UberCab, sofreu muito por estar à frente do seu tempo – basta dizer que a App Store e os aplicativos para iOS ainda estavam engatinhando. Brad Stone, jornalista especializado no Vale do Silício, conta com riqueza de detalhes o nascimento e a evolução dessas e de outras killer companies, sempre com a preocupação de ouvir todos os lados das histórias.

Pessoalmente, penso que se trata de uma leitura essencial para empreendedores e todos aqueles que, de alguma forma, estão envolvidos com startups. Trata-se de um relato bastante honesto da realidade dessas organizações e das dificuldades a que estão sujeitas. Para o público com menor familiaridade com o assunto, talvez a quantidade de nomes citados possa se tornar um pouco enfadonha; o leitor é brevemente apresentado a muitas pessoas, algumas mais importantes para o desenvolvimento dos negócios e outras nem tanto.

Por fim, devo admitir que foi interessante saber um pouco mais sobre a fundação dessas upstarts e os reveses superados por elas, mas, ao mesmo tempo, algumas passagens não foram capazes de prender minha atenção. Não por demérito do autor, mas pela minha falta de interesse em acompanhar o movimento de tantas peças no tabuleiro cada vez mais complexo da nova economia. Talvez eu tivesse ficado satisfeito com mais momentos de “sangue, suor e lámen”.