A garota sem nome,  que aparece no Orun, precisa com urgência se encontrar para poder voltar ao Aiye. Vagando por aí,  sem noção de que é ou foi, a menina Aimó (em yoruba, aquela que ninguém sabe quem é) busca entender o que aconteceu. Vinda da África para o Brasil, em um navio negreiro, no período colonial, a menina veio a óbito e, por não ter uma família que mantivesse sua memória,  esta foi perdida. Ao se encontrar nessa terra mágica,  sem explicações e sem ninguém para lhe conduzir, a curiosidade dos orixás é despertada e ela tem uma nova chance: a de conviver com algumas deusas yoruba,  para decidir qual delas seria sua mãe espiritual e assim, voltar a Terra em sua vida de criança.

 

Reginaldo Prandi, relata em forma de romance a cosmogonia yoruba, inserindo a cada pedaço da caminhada de Aimó, uma narrativa que explica a origem e a função dos orixás em seu universo. O autor é conhecido por outra publicações sobre o universo afro-brasileiro (“Mitologia dos Orixás” e “Ifá, o Adivinho”) voltadas para o público adulto e, dessa vez escreve um livro acessível aos jovens. Com um  linguagem simples e direta, é impossível não entender o que é dito, ou não se encantar pelas de ricos dadas da personalidade de cada um dos deuses africanos.

 

Para completar, o livro possui diversas ilustrações de Rimon Guimarães, que combinam com a história,  por se assemelharem as máscaras e desenhos africanos, comuns nas estampas de tecidos ou pinturas de objetos. O tamanho das letras e a diagramação  do livro são características que acho importante avaliar, pois há um recuo da margem interna, maior que o da externa, o que facilita a leitura, sem que precisemos ter medo de abrir o livro inteiro e, as narrativas sobre os orixás são destacadas em negrito, o que facilita entender o que é a história de Aimó e o que é relato do Ifá ou do Exu, para ela.

 

 

Em um mercado marcado atualmente  pela maior procura de informação pela cultura afro-brasileira, este livro serve de fonte para conhecermos melhor a história das personagens que compõe as religiões de matriz africana. Lembrando que estas personagens são parte da história do país,  mas há séculos são descartados ou definidos como maléficos diante do pré  conceito de que apenas a uma religião deve ser ensinada é tida como verdade.

 

Além de trazer essas informações,  o livro contém ao seu fim um glossário com as palavras em yoruba que são utilizadas no decorrer da narrativa – Prandi, também usa de um recurso muito interessante para fixar o significado destas, sempre traduzindo-as na sequência em que são faladas. Contém também uma lista dos orixás e  de suas funções na cosmogonia e por último o oráculo de Ifá,  para que se entenda como o “jogo” do adivinho funciona.

 

Recomendo o livro a todos que querem entender mais sobre africanidades, de maneira simples e agradável.  Ótimo para os mais jovens ou para pais que querem compartilhar com os filhos mais conhecimentos sobre nossas origens.

 

Nota: 4/5