Um grupo de sete adolescentes de Derry, uma cidade no Maine, formam o auto-intitulado “Losers Club” – o clube dos perdedores. A pacata rotina da cidade é abalada quando crianças começam a desaparecer e tudo o que pode ser encontrado delas são partes de seus corpos. Logo, os integrantes do “Losers Club” acabam ficando face a face com o responsável pelos crimes: o palhaço Pennywise.

 

 

 

Por que você assiste filme de terror?  Por que o interesse em suspense? Entretenimento, certo masoquismo, os dois motivos juntos ou simplesmente por querer? E depois que assiste, fica satisfeito?

Pergunto, pois acho curioso o comportamento das pessoas depois de duas horas de sustos e sentimento de nojo: geralmente não dão o braço a torcer e acham o filme fraco. Eu morro de rir disso.

“IT A Coisa” vai lhe causar de tudo um pouco. É o filme de terror mais fofo que vi ultimamente. E isso consegue ser o ponto alto dele, pois se você realmente quer um genuíno terror, vá assistir um terror japonês. Aqui você tem o filme onde um palhaço persegue e mata pessoas com técnicas criativas. O motivo é o típico de uma entidade espiritual atormentada. E como todas, com uma ideia fixa.

 

 

Há bastante tempo os filmes de medo fazem muito sucesso de público. Houve apostas de que o gênero estava morrendo, mas uma onda de filmes novos, criativos e baratos dos últimos 20 anos foi responsável por uma alta lucratividade jamais pensada.

Acredito que como todo grande gênero, filmes assim jamais morrem. Prova são os filmes western que estão mais vivos que você possa perceber.

“IT A Coisa” não se insere no campo de grandes novidades. Foi um investimento seguro. Baseado na obra de Stephen King (quase todo mundo gosta ou tem calafrio só de ouvir falar), abordando o medo comum de palhaço, ambientado na saudosa década de 80 com um grupo de personagens principais com ares da série “Stranger Things”. Ou seja, uma fórmula segura de colocar dinheiro para um filme. E todas essas escolhas são assertivas, funcionam e ajudam a narrativa. Mas ainda bem, não são totalmente elas que fazem desse um bom filme.

 

 

Existe um cuidado significativo com cenário, enquadramentos, cores, sons, ritmo (até a metade do filme). Mas o que provavelmente vai lhe marcar é a música e atuação dos atores mirins. A música é realmente bonita e os personagens convencem e te cativam logo na apresentação. Trata-se de um grupo de jovens que andam juntos e sofrem bullyng de forma bastante violenta, infelizmente a realidade ainda hoje.

É curioso como o filme se destaca com esse lado fofo. Os personagens possuem seus dilemas e traumas pessoais pouco explorados pois o foco é o grupo de amigos em si, como eles podem se ajudar, como eles são simplesmente amigos. Óbvio que você sente uma empatia rápida com o gordinho da turma e a jovem mal falada da escola. Mas a mãe protetora e o pai policial ríspido te deixam na dúvida, até você perceber que esses comportamentos não são aleatórios no contexto de uma cidade cheia de mistério, ou seja, puro Stephen King. Mas tudo isso é apresentado na maioria das vezes de forma simples sem grande drama, deixando por conta de sua imaginação. Afinal de contas é um filme de terror e o palhaço consegue protagonizar a trama com uma atuação forte e de destaque, embora lá pela metade do filme você se pergunte do porquê daquela matança. Fique tranquilo, temos uma resposta aceitável, aos padrões de hollywood… Pois se fosse nos padrões japoneses.. (seria melhor certamente, rsrs)

 

 

A obra original de Stephen King a qual o filme é baseado é grande, abrindo a possibilidade de uma continuação, embora o filme encerre de forma simples a história dos jovens. Quem morre e quem não morre não é mais o foco, mas como lidar com o medo e enfrentar a vida. Provavelmente o que mais precisamos atualmente. Você vai assistir um filme que estava sendo bem esperado pelas cenas de terror e violência que apareciam nos trailers e conversas de bastidores. Se ver além do óbvio, pode sair até saudosista da sala de cinema. Recomendo “IT” tranquilamente.

Mas assista também “Pulse” (Kairo) de Kiyoshi Kurosawa, por favor.

 

Nota:  4/5

 

 

 

 

 

 

Escrita pelo colaborador: Vitor Damasceno é o Cinéfilo que não consegue ficar quieto em sua “Odisséia no espaço” e sonha em ser Indie.