A ironia contida na sequência de Kingsman (2014), não satisfez o público mundial. A reação observada em plataformas como Rotten Tomatoes e Metacritic deixa isso bem clara, pois o filme recebeu pontuações que o colocam em um patamar mediano. Ao assisti-lo, o que percebi é que Kingsman 2 – O Círculo de Ouro trata de maneira caricata uma parcela da população norte-americana, sob o estereótipo do cowboy imortalizado pela propaganda de Marlboro, o que com toda certeza, não agradou o público estadunidense. Em mim, o efeito foi oposto, eu gostei muito do filme. Não por conter essa sátira –  o que acontece também com a ideia que criamos do homem britânico -, mas por repetir com qualidade o que vi e gostei no primeiro filme da série.

Nossos heróis britânicos, bem vestidos e polidos, precisam partir em busca de suporte, para os Estados Unidos da América. Chegando lá, encontram uma organização semelhante a sua, a Statesman, que os ajudará a enfrentar essa nova inimiga da paz mundial. O filme entrega ao espectador uma série de cenas elaboradas, ora engraçadas, ora dramáticas, nas quais podemos nos satisfazer. No decorrer da trama, fui envolvida ao ponto de torcer até para que os vilões se dessem bem e pudessem voltar em uma sequência de ação tão elaborada e divertido quanto a que estava sendo exibida. Outro ponto que me abraçou, foi o fato de Sir Elton John, estar presente em toda a narrativa. A cada cena que ele aparecia, rabugento, irritado e histérico, reforçando a ideia de antipatia criada sobre a sua personalidade, eu vibrava (a cena da voadora, com close é a melhor de todas)

Ao trazer de volta Eggsy (Taron Egerton) e Merlin (Mark Strong), se virando a frente da Kingsman, agência britânica responsável pela manutenção da segurança mundial, sem a presença de seu mentor Harry Hart (Colin Firt), a sensação de que nada ali dará certo é iminente.  Seguindo a premissa da emulação dos filmes de ação/aventura na linha oo7, inicia com essa sensação uma série de acertos de desacertos na vida das personagens, acentuadas pela vilã Poppy (Julianne Moore), uma mulher em busca do poder e da fama, que instala no meio do nada, sua sede estilizada da América dos anos 60/70.

O filme opta por estreitar mais ainda os laços do trio Eggsy-Merlin-Harry, criando um apego grande a eles, aumentando a carga emocional a medida que decisões de manter ou não algumas dessas personagens são feitas. Outra opção que valoriza o filme é a dos agentes da Statesman, que são homens com a aparência mais descolada que os agentes ingleses. Interpretados por Chaning Tatum, Pedro Pascal, Halle Berry e Jeff Bridges, os integrantes da agência norte-americana, com exceção da mulher, são a representação do clássico sulista dos Estados Unidos. Eles são másculos, competitivos, hábeis com armas e laços, como os mocinhos dos clássicos de faroeste. O antagonismo criado entre eles e os agentes da Kingsman acentua o clima de comédia e a ideia de disputa que está intrínseca nas lutas coreografadas – uma ideia de quem seria o mais motherfucker na hora de salvar o mundo.

 

Todos os que gostaram do primeiro filme, com certeza vão amar o que foi feito com este. Ação, sarcasmo e emoção em doses altas, em uma superprodução que não deixa a desejar.

Nota: 4/5