“mãe!”, conta a história de um casal que tem o relacionamento testado quando pessoas não convidadas surgem em sua residência, acabando com a tranquilidade entre eles.
mãe! (mother!)
Ano: 2017
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Darren Aronofsky
Elenco: Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michelle Pfeiffer, Domhnall Gleeson

Isolados em uma casa, em meio à mata, um casal recebe a visita inesperada de um homem, que não deveria estar ali. Inicialmente é disso que se trata a mãe filme novo, do diretor e roteirista, Darren Aronofsky (Cisne Negro, 2010 e, Fonte da Vida, 2006). O filme que nos foi vendido no trailer como um terror psicológico é uma mistura de drama e fantasia com pontos marcados pelo suspense. Utilizando de uma série de metáforas, símbolos/signos e alegorias, ele reinterpreta as narrativas contidas na Bíblia mais uma vez questionando o que realmente significa o que está contido nos textos sagrados.

Aronofsky tenta trazer um filme grandioso, mas com o passar do tempo de projeção este, se torna mais complexo do que deveria ser e, em vez de alcançar seu clímax de maneira efetiva, chega ao ponto da de pretensão, em vez de uma obra de qualidade. Não existe nada de complexo como foi dito em princípio sobre esse filme. Creio que boa parte da confusão entendê-lo parte do excesso que nos é dado em sua extensão . Para qualquer pessoa que já teve um mínimo de contato com as passagens mais simples da Bíblia e, possui um pensamento crítico sobre a maneira como os homens a interpretam, nesses milênios, não há o que passe desapercebido.

Inicialmente os elementos que integram o filme são fáceis de serem percebidas e, posteriormente, na segunda metade, ao tentar mostrar a desordem provocada pela falta de limite, os dados jogados se tornam mais desconfortáveis – não difíceis – de serem absorvidos, do que deveriam. Em meio as cores sons e texturas que, na primeira parte tem coerência e conseguem compor a obra facilitando a sua leitura, na segunda é perdido, ultrapassando o limite do que seria plausível, para o que é o devaneio de um esteta.

A obra que eu esperava expressar a marca do diretor me trouxe a mente referências de outros –  como Polanski, Tarkovsky, Lynch e Von trier – e, essa identidade invisibilizada em meio a emulação foi o que mais marca em mim, ao ponto de ser desconfortável. Não que seja necessária a existência de  novidades, pois depois de tudo o que já foi mostrado,  o que temos são réplicas das representações já dadas. O que falta é na execução a autoria transparecer. O que Darren entregou foi uma colagem, feita com fúria, como crítica ao que o incomoda na relação homem X espiritualidade, na qual observamos que o que é colocado como ato falho das personagens, ironicamente é repetido por ele na maneira petulante com a qual executa seu filme.

Entendo a relação de amor e ódio que está marcando o lançamento desse filme no mundo. Tratar de interpretações de textos que movem a fé alheia sempre é delicado. O seu acerto é colocar sobre a concepção de verdade (verdade essa definida pela crença de alguns), um olhar crítico que explicita como qualquer extremismo é danoso – a Terra e aos céus -, já seu erro é pensar que é uma espécie de deus (assumindo a posição que ele reprova), que pode criar o que bem entender e nos fazer aceitar. A cada momento que penso, encontro mais sobre o que refletir com relação ao texto (verbal e visual) que compõe o filme.

Essa será uma digestão lenta e complexa, que deve ser feita sem pressa. Exagerado? Sim. Pedante? Também. Horrível? Jamais. Pensemos que a linha entre belo e feio é tênue o bastante para que a imersão nesse filme seja a divisa dos sentimentos que temos ao tentar definir em qual dos pontos ele se encontra. A metáfora diz que a beleza está nos olhos de quem vê e o que vi foi o olhar do diretor.

Nota: 4/5