Mitch Rapp (Dylan O’Brien, série Maze Runner), 23, perdeu seus pais em um trágico acidente de carro aos 14 anos, bem como sua noiva em um ataque terrorista. Buscando vingança, ele é recrutado pela diretora adjunta da CIA, Irene Kennedy (Sanaa Lathan, Truque de Mestre: O Segundo Ato, 2016), para as operações especiais. Kennedy então atribui ao veterano de Guerra Fria Stan Hurley (Michael Keaton, Homem Aranha – Do Volta Para Casa, 2017) seu treinamento. Juntos investigarão uma onda de ataques aparentemente aleatórios em alvos militares e civis. A descoberta de um padrão na violência leva-os a uma missão conjunta com uma agente letal e turca Annika (Shiva Negar, Helmlock Grove, 2013), para impedir um misterioso homem, apelidado de “Ghost” (Taylor Kitsch, Friday Night Lights), com a intenção de iniciar uma guerra mundial no Oriente Médio.

O Assassino – O primeiro alvo (American Assassin, 2017) é a adaptação para os cinemas do livro homônimo de Vince Flynn. O diretor Michael Cuesta está bastante familiarizado com o gênero ação, espionagem e thriller político, pois tem em seu currículo as series “Homeland”, “Dexter” e “Six Feet Under”. É interessante observar como Cuesta nos apresenta o personagem Mitch como um jovem comum com todos os desejos e anseios dos vinte e poucos anos, bem como, conectado a redes sociais, pois faz uma live de seu pedido de casamento momento esse, em que criamos uma enorme empatia por ele.

 

 

Passado 18 meses do atento e emocionalmente abalado Rapp juntou forças (treinamento marcial, perito em armas, domino do árabe) e se tornou um novo homem, com uma missão muito maior que seu casamento: vingança ao homem que lhe causo todo o sofrimento. E nosso ponto o jovem chama atenção da CIA, pois sozinho e de forma obstinada e sozinho ele consegue se conectar com o líder terrorista Adnan Al-Mansur (Shahid Ahmed, 28 Weeks, 2007). De forma bem harmoniosa o diretor nos mostra essa transformação.

Dylan O’Brien atua de forma impecável e convincente. Sentimos a sua dor, seja pela aparência física (mas longe dos músculos) ou seja pela escolha do filmes sua atuação por vez se faz lembrar a de Mark Wahlberg, mas um ponto negativo para o ator pode ser a sua relação com a franquia Maze Runer e sua atuação em series de TV para o publico jovem. Dylan terá que se provar enquanto ator digno de atuar em papeis mais sérios e dramáticos.

Michael Keaton está bem no papel de veterano da guerra fira/ treinador de agente. Linha dura e também obstinado, as vezes sem o mínimo de empatia por seu “pupilo”, Keaton o tortura para fazer desistir dessa empreitada, porém, ao longo do filme vemos que, ser impulsivo e pensar por conta própria, pode ser algo muito perigoso para um agente especial da CIA.  Sua atuação não chega a ser gloriosa com em Birdman, mas consegue manter a sua personagem até o final da trama. Shiva Negar está longe de ser a femme fatale que procuramos nos filmes de ação, e neste quesito deixa ou pouco a desejar, além de não parecer apta a interpretar sequências com mais atirude.

 

 

O diretor desenvolve pouco seus personagens secundários. Pouco sabemos do passado do veterano Stan Hurley e o que o motivou a fazer parte de tal grupo de elite da CIA. Sua relação com Irene Kennedy também é explorada de forma superficial. O antagonista Ghost, poderia ter sua motivação mais bem desenvolvida, pois em um dado momento ele se assemelha a uma criança mimada. No geral Michael Cuesta soube como organizar uma cena de luta ou uma perseguição de carro. Soube também, criar empatia e carisma pelos personagens do filme. Além do terrorismo a trama ainda girar em torno da construção de uma bomba nuclear. Quinze quilos de plutônio de grau de armas enriquecido foram roubados e os EUA e a dupla de agentes devem recuperá-los.

De forma bem estrutura e elencada a direção acerta em  desenvolver de forma harmoniosa a trama, como enredo, fazendo com que “O Assassino – O Primeiro Alvo” alterne entre o insensível e o inacreditável Mitch Rapp.  Acredito que estamos diante do nascimento de uma franquia.

Nota 3,8

Tatiane Barroso:  Jornalista de formação Cinéfila por vocação. Gosto de gente, bicho e planta, não necessariamente nesse ordem. Alucinada pela cultura Japonesa. Acredita que não existam filmes ruins, mas sim dias ruins para assistir determinados filmes.