Woody Woodpecker em abismo?

 

 

Sinopse: O brincalhão e travesso Pica-Pau está metido em mais uma de suas divertidas brigas por território, e dessa vez os inimigos são o vigarista Lance Walters (Timothy Omundson) e sua namorada Brittany (Thaila Ayala). Eles estão determinados a construir a sua grande casa dos sonhos mas, para isso, precisam derrubar a casa do Pica-Pau, que promete não deixar barato.

 

Ele certamente faz parte de sua infância. E você gostava dele. Provavelmente vai assistir o filme por isso. Aos padrões atuais, Pica-Pau é um dos personagens de desenho animado mais politicamente incorreto. E que gosto. Ele aprontava com os adversários, pregava pegadinhas, literalmente ‘sambava na cara dos inimigos’ e muitas das suas brincadeiras eram bem pesadas. Assim é o personagem de desenho animado que conhecemos, ainda acessível ao público brasileiro. Agora vem a notícia triste: o Pica-Pau do cinema é o cara mais do bem do que da pegadinha. Totalmente compreensível, mas não perdoável, rsrs.

 

 

Estou torcendo que “Pica-Pau O Filme” fique como uma apresentação modesta e que outros filmes mais ousados venham. É um ótimo entretenimento para crianças e entediante para o adulto. O angustiante é percebemos que houve investimento sério. Ele é bem dirigido tecnicamente, os três atores principais tem relevância, a história do filme é comprável, mas infelizmente é pouco. É pouco para um personagem em que já existe empatia geral, conhecido do público e com história própria!

O que tem de diferente é o lado positivo em colocar o Pica-Pau em uma história de família. Ele está ali para causar tumulto em uma família já desestruturada. Mas o roteiro do filme fica na linha do básico com risco de ser pobre. Ok, não estou afirmando que deveríamos ter um Pica-Pau surrealista (imagina?!). Aliás, muitos dos filmes do gênero (animação/live-action) que ganharam relevância foram pautados em uma história simples, como a relação de pai e filho por exemplo, mas a forma como isso é contado é que faz a diferença.

 

 

Cada filme tem algo que se destaca: o ator, a música ou até aspectos técnicos… E o grande problema desse filme é que seu personagem principal necessita de uma história boa, bem amarrada, como as surpresas das estripulias do Pica-Pau! Não senti isso no filme.

Por outro lado, se sua criança não tem tanta familiaridade com o passarinho ou simplesmente não reclama como eu, a diversão é garantida, pois é sim um filme leve. A atriz brasileira Thaila Ayla faz a personagem Brittany como atuação boa de se ver, compondo o trio de destaque na trama junto com o pai e o filho.

O Pica-Pau do filme é diferente do desenho animado e embora tente ser independente dele não consegue. Assim, pergunto: temos duas narrativas? É a famosa construção em abismo? Tá bom, tá bom, estou viajando, é só um passarinho arretado!

Nota: 2,5/5

 

 

Escrita pelo colaborador: Vitor Damasceno é o Cinéfilo que não consegue ficar quieto em sua “Odisséia no espaço” e sonha em ser Indie.