Sinopse: O brincalhão e travesso Pica-Pau está metido em mais uma de suas divertidas brigas por território, e dessa vez os inimigos são o vigarista Lance Walters (Timothy Omundson) e sua namorada Vanessa (Thaila Ayala). Eles estão determinados a construir a sua grande casa dos sonhos, mas para isso precisam derrubar a casa do Pica-Pau, que promete não deixar barato.

Se você é fã Pica-Pau e está contente de ver o retorno do personagem na grande tela, em “Pica-Pau: O Filme” (Woody Woodpecker, 2017) esse filme pode lhe decepcionar. Produzido em live-action e animação CGI o filme será lançado exclusivamente para o publico brasileiro devido à popularidade do personagem no País. O estúdio Universal 1140 Entertainment optou em uma produção de baixo orçamento, US$ 40 milhões, até mesmo para testar as potencialidades do personagem para futuros filmes. Mesmo sendo um filme de baixo orçamento os animadores se emprenharam em fazer o um ótimo trabalho de CGI no personagem principal.

Classificado como comédia para toda a família, o filme tenta reproduzir a mesma fórmula do desenho animado, contando agora com a interação de personagens reais. O estúdio Universal optou em nos apresentar uma nova historia para a personagem de desenho, na qual vemos Lance Walters (possível homenagem a um dos criadores do personagem Walter Lantz), um advogado bem sucedido, porém sem escrúpulos, que vê a sua carreira declinar após uma declaração desastrosa a respeito da conservação de animais silvestres. Junto a isso sua ex-mulher o incube de ajudar na criação do seu filho Tommy Walters (Graham Verchere), o que desagrada sua namorada Vanessa. Juntos os três embarcam pra uma viagem rumo a uma área florestal , habitada pelo Pica Pau, que faz divisa com o Canadá, e lá tentam construir a sua grande casa dos sonhos.

A interação com esses novos personagens faz com que o filme perca o seu encanto, pois personagens já consagrados do desenho animado como Zeca Urubu, Leônico e Meany Ranheta ficaram de fora da historia. Além do núcleo familiar temos também dois caçadores que tentam a todo custo capturar Pica Pau, pois esse é uma ave rara já em extinção. Esses personagens são rasos e tem como função fazer piada de sua condição própria condição.

O filme é dirigido por Alex Zamm, que em tem seu currículo a direção dos filmes Inspetor Bulginganga 2 e Herói de Brinquedo 2, ambos lançados direto em DVD. Isso faz com que seu trabalho seja pouco conhecido do grande publico. Zamm optou em manter a quebra da quarta parede pelo personagem, recurso muito utilizado no desenho animado. Dadas as limitações do roteiro e personagens rasos que apelam para os estereótipos, às atuações de Omundson, Ayala e Verchere são boas. Em entrevistas concedidas a mídia brasileira, Thaila Ayala diz que se divertiu muito fazendo a personagem e que foi um grande desafio para ela contracenar com um objeto inexistente, presente somente em sua animação.

Filmes de baixo orçamento não necessariamente significam filmes ruins. O problema de “Pica Pau: O filme” foi único e exclusivamente contar com o carisma do personagem principal. A historia se revela mais do mesmo tornando assim uma comedia morna e o uso de CGI não resolve problemas de roteiro e direção. Para as crianças pode ser uma grande diversão, já para os adultos que buscam rememorar a infância, nem tanto. 

Nota 2,5/5

 

Tatiane Barroso:  Jornalista de formação Cinéfila por vocação. Gosto de gente, bicho e planta, não necessariamente nesse ordem. Alucinada pela cultura Japonesa. Acredita que não existam filmes ruins, mas sim dias ruins para assistir determinados filmes.