Vá ao Indie. Festival de Cinema Independente. De 21 a 27 de setembro de 2017. Seu tempo está acabando, corra! E você me pergunta: Por que? Me dê um motivo para isso!

Pois eu lhe apresento dois:  você gosta de cinema e ama ir além. Além do cinema comum, além do previsível cinema que nos rodeia.

Conheci o Indie em 2010, quando era exibido em três espaços representativos de cinema em Belo Horizonte, permitindo assim uma quantidade inebriante de filmes de graça por 7 dias. As filas eram grandes, mesmo com a alta disponibilidade de filmes. Mas afinal de contas o que me fez ficar assim tão apaixonado por esse festival?

 

 

O cinema vivo. O cinema pulsante, que grita, te arrepia, incomoda e te retira daquela acomodação cotidiana. Sim querido(a) leitor(a), a arte faz isso. A estreia foi o filme Cure de um desconhecido Kiyoshi Kurosawa, que me deixou perplexo. E toda sua filmografia estava sendo exibida. Me desdobrei para conseguir assistir todos, o que não foi possível, mas contabilizei 12 filmes dele, guardados os cupons até hoje, bem apagados por causa do tempo. Aliás, me parece que estão querendo acabar com o Indie. Veremos!

 

 

Acredite em mim, a experiência do Indie é gratificante. Você conhece outros mundos. Acha absurdo muitos deles. Aprende sobre a arte cinematográfica sem ter aula. E tem a experiência compartilhada. É o local onde leva sua turma e conhece outras turmas.

 

 

Lembro que aproximadamente desde 2010 havia um moço nas salas que dava umas risadas altas bem gostosas, nada que atrapalhasse, inclusive percebia que ele fazia outros rirem juntos. Já estava tão acostumado com sua presença descontraída que ficava feliz quando a risada saia. E ele tinha o gosto parecido com o meu: tinha presença garantida nos filmes japoneses. Várias vezes me deu curiosidade pra saber quem era, mas quando acabava o filme saia correndo para a próxima exibição. Ontem, na sessão de Cidade dos Sonhos de David Lynch no Cine Humberto Mauro, tive a grata surpresa do moço ao meu lado. Esse é o Indie.

 

Filme “Trouble Every Day”, de Claire Denis

 

Não pense que é local dos filmes cabeça. Indie é a caixa de pandora. Abra e descubra um universo. Permita-se, porque são apenas 7 dias do ano e depois só no próximo ano. Existe um cinema quase clandestino que não consegue chegar a você. Um cinema bruto da Rússia. Como um animal. Como um “Cavalo de Turim”. Animal no sentido literal. Ou cativante. Sim, a ternura não é propriedade da Disney.

 

 

A experiência do Indie te permite revigorar a imagem que tem do próprio cinema. E quanto mais apaixonado pela sétima arte você for mais catártica será sua experiência. A minha tem sido positiva ao extremo. Capaz de arrancar aplausos como o que presenciei depois da exibição de Sonata de Tóquio naquele meu primeiro ano. Parabéns Indie pelos 17 anos. Ainda não alcançou a maioridade e já é monstro sagrado. Permaneça assim e não deixe que as dificuldades matem seu sonho de um cinema vivo, revigorante. E independente.

http://www.indiefestival.com.br/2017/

 

Escrita pelo colaborador: Vitor Damasceno é o Cinéfilo que não consegue ficar quieto em sua “Odisséia no espaço” e sonha em ser Indie.