Mesmo que muitos discordem, em termos gerais o cinema hollywoodiano é referência na produção de filmes de qualidade. Contudo, há expressões de cinema fora do território estadunidense que conseguem não só verdadeiras proezas, mas realizam filmes únicos com linguagem própria que os americanos não conseguem reproduzir em superioridade.  Como exemplo já citei aqui os filmes de terror japonês, mas o cinema oriental supera seu próprio rótulo produzindo filmes bastante diversificados. O sul-coreano “A Vilã” é um filme peculiar, que se apresenta como produto híbrido misturando temas orientais e ocidentais e com roteiro e montagem de cenas audaciosos.

 

 

O trailer e cartaz de divulgação vende algo que você já conhece de outros filmes, o que é limitador, mas não enganoso. Os primeiros minutos passam, você se ilude achando que é a história simples da jovem recrutada por organização mafiosa com dotes de assassina monstro. E aqui nasce a pegadinha do roteiro e montagem. A medida que a Vilã é apresentada suas informações pessoais são embaralhadas e já não sabemos realmente o que é verdadeiro e o quanto ela tem consciência de sua própria vida. Essa bagunça acaba contribuindo para a diversão, ainda mais aos adeptos de quebra-cabeça.

 

 

Seria ótima oportunidade para a atriz principal engajar no terreno do blefe, nos fazendo acreditar no que pode ser negado. Infelizmente a interpretação fica um pouco fraca por um motivo: somos bombardeados por uma história toda desconstruída, cheia de fios soltos para confundir e do outro lado a personagem que dá titulo ao filme interfere em sua história de maneira muito ingênua o que pode diminuir a própria trama.

Todos os personagens do filme funcionam como peças que movimentam o motor da vida da moça principal. Apenas dois atores conseguem destaque, tanto como peça desse enredo como pela atuação. Há espaço para histórias de amor, acertadamente trabalhadas de forma irônica pois se a vida da jovem é uma tempestade, nada mais natural que os amores fiquem perdidos no olho do furacão.

 

É muito interessante como o diretor utilizou o que já foi feito em filmes recentes de sucesso só para te manipular, e se não conhece os filmes certamente vai achar algo familiar. Você percebe que ele usa até da linguagem de vídeo game o que fica bem divertido. As lutas infelizmente poderiam ser melhor elaboradas, assim como algumas técnicas sonoras muito bem utilizadas em épicas lutas de “Herói”e “Clã das Adagas Voadoras” de Zhang Yimou.

“A Vilã” tem o mérito de te segurar até o desfecho final, isso significa que os últimos 5 ou 10 minutos do filme não estão no mesmo nível do importante trabalho de direção feito. O conjunto todo do filme pode não ter o refinamento do chinês Yimou, mas é uma obra que te prende na cadeira pela curiosidade, talvez o motivo de ter sido aplaudido de pé no Festival de Cannes 2017.

 

Nota: 3,3/5