Dirigido pelo renomado artista chinês Ai Weiwei, “Human Flow – Não Existe Lar Se Não Há Para Onde Ir” chega às salas de cinema do Brasil no dia 16 de novembro e retrata os desafios enfrentados por refugiados ao redor do mundo. O longa documental reflete a trajetória de trabalho do artista, marcada pela questão dos direitos humanos em seu país e, nos últimos anos, pela crise global dos refugiados.

Human Flow: Não Existe Lar se Não Há Para Onde Ir (Human Flow, 2017)
Direção: Ai Weiwei
Duração: | Documentário

 

Desprovidos de um espaço seguro que se possa chamar de lar, refugiados em diversos cantos do planeta, sobrevivem de acordo com as parcas condições que lhe são dadas. Sem direitos garantidos, sua cultura dilui a cada passo dado em busca de segurança.

Vítimas de guerras civis, perseguição religiosa, pobreza e outros tipos de intolerância, os refugiados do planeta optam por sair de seus lares e buscarem em outras nações a possibilidade de uma vida melhor. Em sua maioria, o tempo de vida fora do país em que nasceu é de, no mínimo, 25 anos. Há os que nunca voltam, impossibilitados pela morte ou pela certeza de que ali, na terra que deveria ser sua, não há esperança.

“Ser refugiado é muito mais do que um status político. É a crueldade mais penetrante que se pode cometer contra um ser humano.”

O documentário de Weiwei apresenta a dor da realidade dos que vagam de um lado a outro, a procura da dignidade que é sua por direito. Ao acompanhar o cotidiano dessas pessoas, o diretor elucida a crise e  o impacto que esta tem nas relações humanas. No decorrer de um ano, acompanhando 23 países, o resultado é essa obra de qualidade estética e emoção.

Nós espectadores somos apresentados aos problemas que cercam a migração. Acompanhamos os relatos de pessoas que passaram – e passam – por situações de inconstância e, se apegam as mínimas perspectivas para tentarem ter uma vida digna, livre dos riscos que corriam em seu local de origem. A jornada dessas mulheres, homens  e crianças é motivada pela perspectiva de um futuro melhor.

Refugiados na fronteira Síria-Jordânia

Os campos de refugiados em países como Afeganistão, Bangladesh, França, Grécia, Alemanha e Iraque são caixas de guardar pessoas. As tomadas feitas pelo alto, apresentadas durante as 2h de projeção comprovam isso. Pessoas são desumanizadas, mesmo ao receber algum tipo de acolhimento. Não lidamos aqui apenas com agressões físicas dos que devem cuidar de sua segurança naqueles locais, mas das sofridas desde o momento que sua melhor escolha é a de abrir mão da sua vida.

As condições de saúde, física e mental são precárias. Os medos constantes. O sorriso conseguido ao ser resgatado por um barco some ao se perceber que apenas uma parte do problema foi sanado. Há desesperança. Dos que vivem a situação e dos que a acompanham de perto, tentando proteger uma parcela mínima dos que ali vivem.

“Será um grande desafio, admitir que o mundo está encolhendo e que pessoas de religiões e culturas diferentes terão de aprender a conviver entre si.”

Ainda assim, há os que dedicam a seu tempo auxiliando àqueles que se encontram nessa triste situação. Fiquei entristecida pelos relatos de violência contra mulheres, doenças se multiplicando e perspectivas deficientes para a vida daquelas crianças. Ouvir de uma das voluntárias alemãs, que eles busca ali, não apenas garantir um teto, banho e alimentação, mas também a manutenção da dignidade daquelas pessoas é o que “acendeu” em mim uma fagulha de esperança.

Não é apenas o sofrimento de não se ter uma casa, um país, mas principalmente o de ser visto como um estorvo, avulso, ocupando espaço. Os efeitos dessa mazela se refletem nas intolerâncias, nos abusos e no véu de ignorância, pautado numa visão de que refugiado é um vagabundo sem forças para lutar. Quisera eu ter a força dessas pessoas todos os dias, para enfrentar as piores dores sem perder seu foco: a garantia de um lugar melhor para suas próximas gerações.

Nota 4,5/5

Veja aqui o trailer: