Esse artigo contém spoilers de todos os filmes da franquia “Jogos Mortais”, lançados entre 2004-2010.

Para acompanhar o lançamento, nos cinemas, do novo filme da franquia “Jogos Mortais”, decidi “maratonar” os sete longas que o antecedem. Os filmes contam a história de John Kramer/Jigsaw (Tobin Bell), um homem de meia idade, atormentado pelo câncer, que após uma tentativa de suicídio mal sucedida decide ensinar as pessoas lições de valorização a vida. Porém, uma mente perturbada como a dele, idealiza as coisas de maneira errônea e acaba transformando um ideal de fé em sangria.

Revendo os filmes, percebo que a franquia, com o passar dos anos, tenta aumentar seu apelo visual, sendo mais sanguinária e escatológica. Em contraponto, decai com relação ao enredo e interpretações. As personagens são cada vez  mais reduzidas a marionetes do psicopata e seus atores trazem interpretações no mínimo frágeis e, assim não temos muita empatia por eles. Os plots se tornam desinteressantes e a quantidade de filmes feitos exagerada.

Ah, mas convenhamos: será que queremos nos importar com as pessoas ou apenas canalizar o prazer pela violência visual em uma série de filmes sobre vingança e morte? É exatamente daí que vem o interesse, de alguns, em passar mais de uma década acompanhando a “instituição” na qual o anti-herói desses filmes se transformou e seus efeitos naquela realidade fictícia.

Jogos Mortais 1, 2 e 3 – Um arco completo

Nos primeiros 3 filmes da franquia, somos apresentados a Jigsaw e Amanda Young (Shawnee Smith). O filme gira em torno da relação entre os dois. Ela, antes vítima que, conseguiu escapar de um dos “jogos” propostos por ele, se torna sua pupila. Kramer tenta esclarecer para ela que o importante é fazer com que aquelas pessoas, levadas por eles para “jogar”, entendam como a vida deve ser valorizada. Mas, a própria Amanda não entende isso se tornando sua própria algoz, ao fim do “terceiro ato” desse arco inicial.

Esses 3 filmes, funcionam bem entre si, como sequências. Cada um tem sua particularidade. O primeiro, ainda hoje é um dos melhores filmes do gênero terror que eu já assisti. De baixo orçamento, ambientado em poucos locais – tendo seu foco principal no banheiro – ele consegue por meio do jogo de dicas nos levar a querer montar o quebra-cabeças proposto. O segundo, para mim peca ao apresentar personagens tão antipáticos que suas mortes sequer são sentidas. O terceiro, sentimental demais ao trazer a vingança do pai que perdeu o filho, é um tanto maçante na primeira metade, mas se torna mais interessante a medida que os transtornos de Amanda se intensificam.

Ambientados em um espaço de tempo de alguns meses, o entendimento de que os fatos retratados ocorreram um atrás dos outro, facilita no entendimento de como Jigsaw agia e das responsabilidades que, a auxiliar tinha na idealização e execução dos crimes cometidos. Ao fim do terceiro filme, há um plot que direciona o expectador para uma nova linha de pensamentos, a dos jogos inacabados, mesmo com a morte de seu criador e de sua serva.

Jogos Mortais 4 e 5 – A afirmação de um legado

Com as personagens centrais dos filmes –  chave para o desenvolvimento da história – mortos são inseridos na história novas pessoas. O detetive Mark Hoffman (Costas Mandylor) e o agente do FBI Peter Strahm (Scott Patterson) tomam a frente da investigação dos assassinatos.

No quarto filme, paralelamente ao jogo, é contada a história de Jeff Denlon (Angus Macfadayen), o pai vingativo do filme anterior, ainda preso na armadilha. Mas isso não importa, pois o foco desses dois longas é descobrir quem seria o novo ajudante de Jigsaw. Nada melhor do que ele ser um dos “homens da lei” que está acompanhando o caso de dentro e pode servir também como informante.

Hoffman então, é mais uma das peças que falta na história do assassino. Ele, assim como Amanda, atuava ao lado de John há bastante tempo, e os próximos filmes desdobram essa relação aos poucos, por meio de flashbacks. Temos também o desenvolvimento da história pessoal de Kramer com Jill Tuck (Betty Russell), sua esposa. A partir desse ponto se entende melhor o início da perda de fé dele na humanidade, após a perda do seu filho.

Consciente dos atos de seu marido, temos na esposa, mais uma referência de pessoa ciente da idealização de John Kramer que, o apoiava em seus atos. Esses dois filmes encerram, esclarecendo que passado os meses de caça ao assassino e a seus ajudantes, os fatos ainda não são claros. Outro aspecto evidente é de que a “lição de moral” dada por Jigsaw em suas vítimas, se transformou em atos de vingança e/ou afirmação de poder dos seus aprendizes.

Jogos Mortais 6 e 7: Teoricamente, o fim

Definitivamente esses dois são os piores filmes da série. Seus efeitos visuais, mais exagerados e mais precários ao lado das expressões do ator Costas Mandylor (Hoffman) atestam o óbito da franquia. No sexto filme, ainda temos a dupla de antagonistas que não se dá bem (o detetive e a viúva), sempre protagonizando alguma tensão que deixa claro que um está enganando o outro.

O sétimo filme é a última pá de terra no caixão dos “Jogos Mortais”. O protagonista é um charlatão, Bobby (Sean Patrick Flanery), que alega ser uma vítima sobrevivente e, se tornou famoso como exemplo de superação, lançando livros e talk-shows. Como isso é mentira, Jigsaw o faz jogar. Nesse longa é tudo bagunçado. Os efeitos feios ainda não superei o sangue rosado e aguado e, você tem o desejo de assistir ele acelerando as cenas.

O único ponto que me interessou, foi o retorno do médico de John, Dr. Gordon (Cary Elwes) – aquele, que corta o próprio pé no primeiro filme. O plot da sua sobrevivência, sendo acolhido e recrutado para manutenção do legado de Jigsaw, liga o “capítulo final” ao inicial, fortalecendo a linha do tempo da trama e justificando todas as intervenções cirúrgicas feitas na vítimas da série (Vocês se lembram do cara com a chave no olho do segundo filme? Obra do Dr. Gordon).

Jigsaw – o retorno do quebra-cabeça

Estreia no Brasil, no dia 21/11/2017, o oitavo filme da série, “Jigsaw: Jogos Mortais”, dirigido por Michael e Peter Spierig. Pelo trailer podemos perceber que o assassino está de volta, aprisionando mais cinco pessoas em seus jogos pela vida.

Após dez anos de sua morte, os detalhes que envolvem os crimes são tão perfeitos que os investigadores se questionam sobre a possibilidade de Jigsaw nunca ter morrido. Como sempre, os heróis têm que correr contra o tempo para salvar vidas inocentes… até certo ponto.

Como fã do gênero de terror e de alguns títulos da séries, já assisti ao novo filme. Mas isso é assunto para crítica que você encontra aqui.

Notas:
Jogos Mortais (Saw, 2004) – 5/5
Jogos Mortais 2 (Saw 2, 2005) – 3/5
Jogos Mortais 3 (Saw, 2006) – 2,5/5
Jogos Mortais 4 (Saw, 2007) – 3/5
Jogos Mortais 5 (Saw, 2008) – 3/5
Jogos Mortais 6 (Saw, 2009) – 2/5
Jogos Mortais – O Final (Saw 3D, 2010) – 1/5