Título: Os meninos que enganavam nazistas 
Título original: Un sac de billes
Autor: Joseph Joffo
Editora: Vestígio
ISBN: 9788582864104
Páginas: 320
Nota: 4/5

Paris, 1941. O país é ocupado pelo exército nazista, e o medo invade as casas e as ruas francesas. O poder de Hitler se mostra absoluto e brutal… É durante um dos períodos mais turbulentos da História que a emocionante narrativa de Joseph e Maurice se desenrola. Irmãos judeu de 10 e 12 anos de idade, perambulam sozinhos pelas estradas, vivendo experiências surpreendentes, tentando escapar da morte e em busca da zona livre para ganhar a liberdade. Está é uma história real, autobiográfica, cuja espontaneidade, ternura e humor comprovam o triunfo da humanidade e da empatia nos momentos mais sombrios, quando o perigo esta sempre à espreita.

O livro é narrado pelo irmão mais novo, Joseph. Apesar de ser contada por ele aos 42 anos de idade é impossível não imaginar o Joseph menino e seu irmão tentando sobreviver à guerra. O título do livro pode ser considerado um mini spoiler, já que é possível imaginar que os irmãos sobreviverão à guerra, ou, pelo menos, que Joseph sobreviverá, eis que é o autor do livro.

Então, passamos o livro acompanhando os irmãos Joffo mais novos (eles têm três  irmãos mais velhos, dois rapazes e uma moça) em sua fuga constante pela França até chegarem ao que chamam de “França livre” que, em verdade, não existe, e usam de suas artimanhas e até uma dose de fofura para escapar dos soldados nazistas e daqueles que querem, a todo custo, colocá-los em um campo de concentração.

Em determinado momento Joseph afirma que é impressionante como os alemães, em toda sua mania administrativa, contratam pessoas para fuçar a vida de uma pessoa para saber se ela é judia e colocá-la em um campo de concentração. Qual a necessidade de se querer ver duas crianças inofensivas, que não têm nada nem ninguém, mortas?

Apesar de tudo, imaginei que o livro fosse ser um pouco mais emocionante. Sempre que leio um livro sobre essa época saio com o coração arrasado pela crueldade dos acontecimentos e dos nazistas, pelo sofrimento dos judeus, mas, apesar do que acontece aos meninos, não me emocionei tanto. Teve apenas um momento em que realmente pensei que eles não conseguiriam escapar de ir para um campo de concentração, foi o momento que mais fiquei com coração na mão.

É claro que há a sensibilidade em relação ao que é para uma criança ter sua infância repentinamente interrompida, o que o próprio Joseph demonstra com clareza ao longo de sua narrativa. Há sensibilidade também em relação às pessoas boas que cruzam o caminho dos garotos e que nos faz pensar que, apesar dos pesares, ainda há pessoas de bom coração no mundo. Ainda bem!