A Forma da Água (The Shape of Water, 2017)
Duração: 2h3min
Diretor: Guillermo Del Toro
Roteiro: Guillermo Del Toro, Vanessa Taylor
Elenco: Sally Hawkins, Doug Jones, Octavia Spencer, Michael Shannon, Richard Jenkins, Michael Stuhlbarg
Direção de Fotografia: Dan Lausten
Montagem/Edição: Sidney Wolinsky

Década de 60, auge da Guerra Fria, em meio aos grandes conflitos políticos e transformações sociais nos Estados Unidos, a muda Elisa (Sally Hawkins), zeladora em um laboratório experimental secreto do governo, se afeiçoa a uma criatura fantástica mantida presa e maltratada no local. Para executar um arriscado e apaixonado resgate ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e à colega de turno Zelda (Octavia Spencer).

 

O filme a “Forma da Água” é um conto de fada ambientado na década de 60 em um contexto de guerra fria. A temática principal e romance entre Elisa e a Criatura fantástica, mas esse enredo é entrecortado por seria de subtramas desenvolvidas pelos os personagens secundários, que só tem a colaborar com o enredo principal.

O filme é uma verdadeira homenagem a sétima arte. Assim como em “La La Land” (2016, Damien Chazelle) em seu longa o diretor Guillermo Del Toro traz diversas referencias a filmografia da era de ouro hollywoodiana (musicais e épicos), bem como aos filmes de ficção científica, de monstros e suspense. A produção de design do filme é belíssima, os cenários são bem detalhados e ricos em informações complementares tanto da historia quando dos personagens. Os figurinos dão um toque a mais e complementam o design de produção. A fotografia é evocativa a estética noir. Preste atenção também nos cores verde e azul utilizado pelo diretor. Essa paleta de cores remete a dubiedade dos personagens e das situações.

O longa é ganhador de 2 Globos de Ouro sendo eles de Melhor Diretor e Trilha Sonora. No Oscar, 4 março de 2018,  “A Forma da Água” concorre a 13 categorias incluindo filme, diretor, roteiro, atriz e fotografia. É merecida a indicação de Sally Hawkins ao Oscar de Melhor Atriz, pois mesmo sem falar sequer uma palavra Sally transmite curiosidade, compaixão, medo, preocupação, raiva, indignação, medo, insolência, raiva e coragem.

Michael Shannon pode ser considerado o melhor vilão de 2017, sua atuação é robusta e com camadas e ao longo do filme suas decisões são preocupantes e ameaçadores.  Toda a paranoia e a tensão que tomava conta do país, na Guerra Fria, pode ser sentida a cada cena que envolve o agente do governo Richard Strikland interpretado por Shannon.  

Octavia Spencer dispensa comentários e mais uma vez apresenta um personagem brilhante.  Doug Jones faz um lindíssimo trabalho ao dar vida à criatura, pois mesmo com a roupa e maquiagem, consegue transmitir toda a força, raiva, vulnerabilidade e contemplação do personagem.  Richard Jenkins tem um arco dentro de historia bem interessante. Os medos e incertezas de seu personagem são bem explorados bem com a sua atuação enquanto artista decadente. Outro destaque é o autor Michael Stuhlbarg (sim ele mesmo no nosso querido Mr. Perlman do filme “Me Chame pelo seu Nome”) seu personagem Bob está sempre na sombra observando cada detalhe.

Del Toro nos presenteia com uma belíssima historia de amor na qual gatos fofinhos perdem a cabeça, gargantas são rasgadas com garras e dedos necrosados arrancados à força. Afinal de contas não seria um filme bom  de Del Torro sem esse elementos de horror.

Nota 5/5

Assista aqui ao trailer: