Crítica do filme “O Filme da Minha Vida”


O vazio que fica com a partida de quem muito se ama há de ser preenchido com memórias e com a esperança de que este um dia retorne. Aos que ficam, a dúvida do que levou este alguém a por o pé na estrada, aos que partem, o silêncio de suas motivações. Os laços criados entre as pessoas marcam, profundamente, uns aos outros . As palavras ditas se transformam em registros de tempos passados e bem vividos e, as não ditas retomam a memória com a necessidade de serem expressas.
O tempo é tátil em suas cores e sons. O que é narrado pelas personagens, da trama filmada e o do espectador se unem e geram um clima aconchegante e saudosista. Até quem nasceu após os anos 50 é inserido naquele instante, tomado por suas asas pronto para voar no sonho-real do rapaz Tony. A experiência sentida é uma tarde de sol amarelo, com cheiro de café fresco, textura de uma brisa da tarde, sentado aos pés de seus familiares que rememoram sua juventude.
As roupas músicas locações estão ali como as palavras de minha mãe – o Rum Creosotado cantado é equivalente aos versos que ela sempre recita pra mim enquanto conversamos sobre sua juventude andando de bonde, aqui em BH. Este filme está cravado em mim, me emocionando com coisas tão simples, do que presenciei pelos olhos dos outros. Ele é como as fotografias na parede, uma ilustração dos anos.


