Críticas

Ghostbusters: Apocalipse de Gelo | Crítica

Ainda que se perca em um roteiro pouco inspirado em que as coisas acontecem mais por necessidade do enredo que de forma orgânica, “Ghostbusters: Apocalipse de Gelo“, ganha ao assumir seus momentos nostálgicos e divertidos. O filme não busca enganar o expectador sobre o que é, assumindo ser um produto que busca arrecadar mais alguns trocados da vaquinha da nostalgia.

Ao fazer isso, no entanto, pouco a pouco o filme vai ganhando carisma, seja pela despreocupação do elenco ou pelo design de produção muito acertado. Até mesmo se pode dizer que o filme ganharia mais se canalizasse essa energia para mais criações originais em vez de recriações dos filmes dos anos 80.

Na trama do novo filme, a família Spengler retorna ao icônico quartel de Nova York, onde os Caça-Fantasmas originais atuaram em seus anos de glória. Quando a descoberta de um artefato antigo desencadeia uma força maligna, novos e antigos Caça-Fantasmas precisam se unir para proteger seu lar e salvar o mundo de uma segunda era glacial. Depois da derrota de Gozer, os Caça-Fantasmas enfrentam aquele que o próprio diretor Gil Kenan considera como o vilão mais perigoso da franquia: Garraka, um antigo espírito aprisionado por séculos que é libertado por um artefato antigo e pretende cobrir o mundo de gelo.

Divertido, mas esquecível

Não se pode dizer que este filme não tem seu lugar ao sol. Paul Rudd aqui tem toneladas a mais de carisma do que quando interpreta o Homem-Formiga na Marvel. O mesmo se pode dizer do já não tão jovem Finn Wolfhard, muito mais a vontade aqui do que nas últimas temporadas de “Stranger Things”. Mas os destaques ficam para a Phoebe de Mckenna Grace e o Ray Stantz de Dan Aykroyd, os únicos capazes de carregar algum arco de personagem.

Não que a ausência desses arcos, ou a irrelevância deles, faça falta. Há toda uma bobagem sobre a necessidade de um piromaníaco telecinético na história que me arrancou sinceras risadas no cinema.

A prova de fogo da franquia

“Ghostbusters – Mais Além” foi uma homenagem ao falecido Harold Ramis, que interpretou Egon Spengler na franquia. Tendo sido bem recebido no seu lançamento, projetou todo um novo elenco e uma nova fórmula, que neste filme se repete. Algumas doses de drama original, muitos personagens espalhafatosos, muitas referências à franquia e é isso. Não se pode culpar a produção e o diretor por seguir um caminho seguro. Esta é a prática de mercado atual dos grandes estúdios, mas é preciso considerar que este pode ser um motivo para que a franquia volta à geladeira (sem trocadilhos).

No fim, o que temos é a certeza que o mundo dos Caça-Fantasmas é rico e pode ser tão diferente e criativo quanto já vimos – senão mais. Basta assumir sua veia comica absurda e bizarra sem apelar e repetir apenas o que já deu certo nos filmes originais.

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